16/07/2014

Clube de Cinema amorosamente apresenta: Vou rifar meu coração



É de um lúcido observador do cotidiano amoroso do brasileiro, o escritor Xico Sá, a definição do universo sentimental do documentário de 2012, Vou rifar meu coração: 
“Não há momento mais sublime de um homem do que durante uma dor amorosa. É quase a prova de que é um homem de verdade. Não há. Não mesmo. É rico. Perdoa-me por me traíres, salivaria o tio Nelson. Com ou sem chifre, é sublime. Um macho ou uma fêmea narrando um grande caso de amor é tão forte quanto Shakespeare.
Mesmo num posto de gasolina de beira de estrada, lá em Sergipe, como fez um tiozinho conhecido como Maguila: “Cheguei lá e ela tinha ido embora com outro rapaz!”.
Acontece. O canto mais limpo. Nem o cheiro da moça. Maguila sofreu o baque-mor da existência. A roupa dele revirada em cima de uns papelões na sala da casa, a roupa que vivia junta, grudada na cômoda do comodismo do amor sossegado... E assim, na beira da estrada, em confissões em lares doces lares, Vou rifar meu coração se constrói.”
A diretora faz uma bem dosada mistura de depoimentos de grandes representantes da cultura brega (Lindomar Castilho, Agnaldo Timóteo, Nelson Ned, Amado Batista, Wando) com a fala sincera e emotiva de pessoas simples que amam a música brega pelo simples motivo de suas letras traduzirem com fidelidade e clareza suas emoções mais profundas.
Juntos, estes entrevistados formam o painel de um Brasil apaixonado, uma pedra bruta de emoções talvez pouco lapidadas, mas não por isso menos intensas.

Vai lá:

Clube de Cinema apresenta: Vou rifar meu coração
Onde: Espaço Caos - arte e cultura
Quando: 19 de julho
Horário: 19h
Entrada franca



06/07/2014

Achando o Sugar Man


Sábado dia 05 de Julho, o Clube de Cinema voltou a ativa com o documentário "A procura de Sugar Man". Um filme, acima de tudo, muito inspirador. A sessão foi ótima, com um debate interessantíssimo que abordou desde o lugar da música na história da arte, passando pela importância político-cultural do tecnobrega e pelas fissuras entre realidade e verdade nos produtos audiovisuais chegando na diluição do conceito de identidade e muito mais... Valeu pela presença de todos e um obrigada especial ao nosso amigo debatedor convidado, o professor do curso de artes da UNIFAP, Nycolas Albuquerque . Valeuuuu! Dia 19 de Julho o CLube vai trazer o doc "Vou rifar meu coração", com debatedores pra lá de superbacanas também, aguardem. Álbum completo com as fotos by Bia Azevedo: AQUI!







03/07/2014

Clube de Cinema nostalgicamente apresenta: À procura de Sugar Man



Em julho, o Clube de Cinema retorna em novo horário, às 19h, e com duas sessões dedicadas à música. Dia 05, será exibido “À procura de Sugar Man”, de 2012, um dos documentários musicais mais interessantes e surpreendentes lançados nos últimos anos. Dirigido pelo sueco Malik Bendjelloul, o filme conta a história de Jesus Sixto Rodriguez, um cantor folk que surgiu nos anos 1960, em Detroit, nos Estados Unidos, mas que desapareceu de cena de forma misteriosa.

Comparado por alguns a Bob Dylan, Rodriguez lançou dois discos no início dos anos 1970, que foram fracassos de vendas nos Estados Unidos. Porém, sem que o cantor soubesse, seus discos chegaram à África do Sul, onde entraram na programação de uma rádio local e fizeram enorme sucesso com o público.
Rodriguez tornou-se um ídolo e uma lenda naquele país, onde suas canções de protesto encontraram muitos fãs durante o período de segregação racial do apartheid. Entre os fãs, estavam dois jovens que quase 30 anos depois seriam os responsáveis pela investigação para tentar descobrir o destino do músico. À procura de Sugar Man torna-se a mistura de uma comovente e muitas vezes cruel biografia com filme policial.
O documentário exibe as poucas imagens de arquivo de Rodriguez e entrevista pessoas que trabalharam com ele nos anos 60 e 70. Paralelamente, o diretor conta como Sixto Rodrigues tornou-se, sem saber, um astro tão popular quanto Elvis e os Rolling Stones na África do Sul. 

Bendjelloul entrevista radialistas, músicos e militantes que foram influenciados por Rodriguez no movimento anti-apartheid e com fãs que adoravam o músico, mas simplesmente não sabiam nada sobre ele. Tudo que envolvia Jesus Sixto Rodriguez era cercado de mistério. As únicas fotos eram as das capas dos discos, não havia entrevistas ou informações sobre ele. 

Os boatos eram muitos: Rodriguez teria sido um radical, que foi preso e morreu na cadeia; teria cometido suicídio no palco, botando fogo no próprio corpo; teria se matado com um tiro na cabeça...O mistério só fez a lenda de Rodriguez crescer na África do Sul. Ele tornou-se um símbolo na luta contra o apartheid, e suas letras eram cantadas em manifestações. 

Com sua trilha sonora excelente, À procura de Sugar Man resgata a história insólita de um artista e ser humano genial, funcionando como pano de fundo para questionamentos sobre a fama, a indústria musical e o poder transformador da música além de qualquer fronteira. 

Vai lá:
Clube de Cinema apresenta: À procura de Sugar Man
Quando: 05/07/14
Onde: Espaço Caos – arte e cultura
Horário: 19h
Entrada franca