12/03/2014

O Clube de Cinema, implacávelmente apresenta: A Trilogia dos Dólares


Dia 01/03: Por um Punhado de Dólares
Dia 15/03: Por uns Dólares a Mais
Dia 28/03: Três Homens em Conflito

Temática:
Projeções: a virilidade na tela.

Já nas primeiras imagens de Por um Punhado de Dólares, o primeiro filme da trilogia dos dólares, a figura do andarilho, que viria a ser conhecido como o "homem sem nome", interpretado por Clint Eastwood, causa um forte estranhamento. Ao invés da figura altiva do caubói montado em um cavalo, tornada costumeira pelo cinema americano, temos um homem taciturno, vestindo um poncho esfarrapado, fumando um charuto vagabundo e cavalgando uma mula. É com variações sobre essa personagem, recorrente nos três filmes, que o diretor Sergio Leone vai iniciar sua revisão dos mitos do faroeste.
Chamados de spaghetti westerns (faroestes dirigidos por italianos, filmados na Europa) estes vem impor uma nova forma, ao mesmo tempo apaixonada e distanciada, de se pensar e fazer filmes deste gênero, que nasceu da tradição do cinema americano e tem em Leone seu diretor mais representativo. O diretor desenvolveu nova abordagem temática, de um estilo totalmente individual de mise-en-scene e edição
O estilo do diretor é característico: tomadas longas (amplas na paisagem, fechadas nos rostos), diálogos esparsos, silêncios eloquentes, humor, música. Chama a atenção o detalhamento dos ambientes internos: balcões de saloon, produtos numa loja, objetos decorativos e quadros na parede, a rua vista de uma janela, e claro, as refeições que nos fazem querer sentar à mesa com os personagens, cortar um naco de pão e pegar uma concha de ensopado.
Ao longo da trilogia, vemos esse estilo ser cada vez mais aperfeiçoado, culminando, em Três Homens em Conflito, com uma grandiosidade que aproxima a estrutura dos filmes de Leone daquela das óperas italianas. Nesse filme, como antes em Por uns Dólares a Mais, vemos os duelos finais serem encenados em arenas circulares, como se tais configurassem espetáculos em si só.
Ligadas também à ópera estão as trilhas de Ennio Morricone. Os elementos novos e improváveis que Morricone trouxe ligaram-se indelevelmente ao gênero: o uso de vozes no solo ou na percussão, assobios, tiros, flautas e até a surf guitar. Utilizada desta forma, a música dá o tom do filme, tomando o primeiro plano e cativando a atenção consciente do espectador.
Em diversas produções cinematográficas, comercias de tv, anúncios de revista ou trilhas sonoras, podemos observar uma prova irrefutável da manutenção do universo do diretor, consolidado ao longo da trilogia dos dólares, no imaginário coletivo: imagens, edição e música totalmente inspirados em ninguém mais que Sergio Leone.
E ao final de cada filme, quando Clint Eastwood parte solitariamente pelo deserto, segue levando para o cinema, a América e o mundo a herança indelével de Sergio Leone. O cinema, em especial o de faroeste, jamais seria o mesmo.




Dando continuidade a Mostra Trilogia dos Dólares e às discussões da temática “Projeções: virilidade na tela”, neste sábado, 15 de março, o Clube de Cinema implacavelmente apresenta Por Uns Dólares a Mais. O evento busca apresentar o cinema do diretor italiano Sergio Leone e promover o debate a cerca das representações de gênero em seus filmes e seus desdobramentos. 


A segunda parte da trilogia revisita “O Homem sem Nome” de Clint Eastwood. Manco, um caçador de recompensas, tem seu caminho cruzado por El Indio, considerado o bandido mais perturbador da trilogia. Sua gargalhada maníaca é uma indicação de seu caráter: um homem de excessos incontroláveis e obscenos. Outro caçador de recompensas, coronel Mortimer, um ex-oficial militar, também ira entrar neste confronto. Mais velho, não tem a mesma agilidade no gatilho, mas sua mira é mais precisa e seu alcance mais longo.
As motivações misteriosas e obscuras destes três personagens somam-se a um enredo bem construído e estética que demostra a evolução do estilo de Sergio Leone. Para além de um típico filme de faroeste, Por Um Punhado de Dólares incita a reflexão e o debate sobre o gênero masculino e do homem cinematográfico como reflexo do homem da sua época. A partir da exibição do filme, a psicóloga Adriele Sussuarana discorrerá sobre o tema “O falo: masculinidade e imaginário social do poder”.

DIA: 15 de Março (sábado)
HORA: 18h30
LOCAL: Espaço Caos

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